São nódulos benignos formados por tecido muscular que acometem o útero durante a vida reprodutiva da mulher.

O que são miomas uterinos?

Os miomas uterinos, conhecidos também como fibromas, fibromiomas ou leiomiomas, são nódulos benignos e frequentes, que se desenvolvem na camada muscular do útero.

Quais os principais sintomas dos miomas uterinos?

  • Hemorragias uterinas
  • Dores pélvicas
  • Cólicas menstruais
  • Dores na relação sexual
  • Aumento do volume abdominal
  • Dificuldade de engravidar
  • Aumento da frequência de micção
  • Alterações intestinais

Os miomas uterinos são muito frequentes, principalmente nas mulheres entre 30 e 50 anos. Estima-se que cerca de 70% das mulheres desenvolva leiomiomas durante sua vida, sendo que 20% destas irão apresentar sintomas como sangramentos uterinos anormais, dores pélvicas, disfunções sexuais, além de complicações obstétricas.

Os sintomas incluem aumento no fluxo menstrual, em volume ou em duração, bem como sangramento uterino fora do período menstrual ou na relação sexual. A intensidade do sangramento também pode variar, indo desde pequenos sangramentos até sangramentos volumosos, com eliminação de coágulos e risco de desenvolvimento do quadro de anemia. Dores abdominais são comuns e podem ser de forma cíclica, na forma de cólicas menstruais (dismenorréia) por ocasião da menstruação, ou acíclicas, não relacionadas à menstruação. Miomas uterinos volumosos podem levar ao consequente aumento do volume abdominal e a sintomas relacionados à compressão dos órgãos próximos ao útero, como, por exemplo, o aumento da frequência de micções devido à compressão da bexiga urinária pelo útero aumentado, constipação intestinal decorrente da compressão do intestino, bom como dor ou desconforto durante as relações sexuais pela compressão do fundo vaginal (dispareunia).

Os fibromas podem interferir na fertilidade da mulher, dificultando a implantação do embrião dentro do útero ou ainda aumentando o número de abortamentos.

Embora a causa dos leiomiomas uterinos ainda não esteja totalmente estabelecida, múltiplos fatores como herança familiar e fatores genéticos vêm sendo associados ao seu desenvolvimento. Sabe-se também que sofrem influência de hormônios como o estrogênio e a progesterona, motivo que explica o crescimento dos nódulos miomatosos durante a gestação, bem como a sua diminuição à menopausa. Mulheres que nunca engravidaram (nuligestas), obesas e mulheres negras tem maior propensão ao desenvolvimento de miomas uterinos.

Quais os tipos de miomas uterinos?

Os tipos de miomas de acordo com a sua localização:

  • Subserosos

São nódulos que crescem na camada externa do útero, formando uma protuberância na superfície uterina. Normalmente não causam muitos sintomas e não costumam interferir na implantação do embrião no útero. Quando volumosos (maiores que 5 cm), podem levar a dores no local e sintomas urinários ou intestinais devido à compressão da bexiga ou do intestino respectivamente. Os miomas pediculados são miomas subserosos que apresentam um pedículo, um estreitamento ligando o mioma ao próprio útero.

  • Intramurais

São nódulos que crescem dentro da parede uterina, o chamado miométrio. Com frequência desorganizam e alteram a anatomia ou forma do útero e costumam produzir sintomas mais exuberantes, como cólicas menstruais ou dor fora do período menstrual, hemorragias genitais mais intensas, e podem igualmente causar sintomas de compressão na bexiga urinária e no intestino.

  • Submucosos

São nódulos que crescem para dentro da cavidade uterina. Costumam produzir sangramentos intensos e podem interferir na fertilidade, dificultando a implantação do embrião.  

Como fazer o diagnóstico de miomas uterinos?

Muitas mulheres são surpreendidas pelo diagnóstico de miomas uterinos durante a realização de exames de rotina ginecológica, ou até mesmo pela suspeita de seus ginecologistas durante o exame pélvico. Isto ocorre porque cerca de 80% das mulheres com miomas uterinos não apresentem sintomas – são assintomáticas.

Os miomas uterinos são diagnosticados com facilidade ao exame ultrassonográfico. Outros exames também podem realizar o diagnóstico de miomas uterinos, tais como a histeroscopia, a histerossalpingografia e a ressonância magnética – esta última geralmente solicitada quando o diagnóstico à ultrassonografia for inconclusivo.

Como tratar os miomas uterinos?

Os tratamentos de miomas uterinos são medicamentosos ou cirúrgicos.

Medicamentos hormonais podem ser utilizados para controle dos sintomas dos miomas uterinos e, no caso de análogos de GnRH, podem diminuir seu tamanho em algum grau. Os hormônios são uma opção de tratamento em casos menos complexos, oferecendo um controle dos sintomas em cerca de 80% dos casos. Pílulas anticoncepcionais e implantes hormonais são outros exemplos de medicamentos utilizados para controle dos miomas uterinos.

O tratamento cirúrgico é indicado nas mulheres que, mesmo utilizando o tratamento medicamentoso, não apresentem melhora ou tenham seus sintomas piorados, bem como quando os nódulos crescem rapidamente em número ou em tamanho, e ainda quando há dificuldade de engravidar.

As técnicas para tratamento intervencionista, de acordo com cada caso, são:

  • a embolização (técnica endovascular);
  • a miomectomia (retirada do mioma); e
  • a histerectomia (retirada do útero).

A embolização é uma técnica realizada por medicina intervencionista endovascular, onde minúsculas partículas são depositadas nos vasos sanguíneos próximos ao mioma com o objetivo de obstruir o fluxo sanguíneo e consequentemente diminuir o tamanho do mioma.

A miomectomia é a cirurgia onde são retirados os miomas e o útero é preservado.  

O útero é composto de duas partes, o colo uterino e o corpo e a histerectomia, é a cirurgia onde o útero é retirado. A histerectomia total, é a cirurgia onde o útero (corpo e colo) é totalmente retirado. Já a histerectomia parcial, é a cirurgia que retira o corpo uterino, mas o colo uterino permanece.

Tanto a miomectomia quanto a histerectomia podem ser realizadas por via convencional (abdominal ou vaginal) ou por cirurgia minimamente invasiva (laparoscopia).

É muito importante salientar que a escolha do tratamento do mioma deve ser individualizada. A gravidade dos sintomas, a idade da paciente, o desejo de engravidar, o número, a localização, o tamanho e a velocidade de crescimento dos miomas são fatores a serem considerados cuidadosamente por um ginecologista experiente.

Procure o médico em casos de sintomas e não deixe de fazer uma visita pelo menos uma vez ao ano ao ginecologista.