DIU – Como colocar?

Utilizado por mais de 100 milhões de mulheres no mundo, o Dispositivo Intrauterino, ou simplesmente DIU, é considerado um LARC, sigla em inglês para “Long-acting reversible contraceptive”, um método contraceptivo reversível de longa duração. Os DIU são amplamente utilizados por mulheres durante a vida reprodutiva. Desde que a mulher já tenha tido penetração vaginal, pode ser usado em qualquer idade, com ou sem filhos. A colocação do DIU é um procedimento mais simples do que se imagina e, independentemente do tipo de DIU (cobre, cobre e prata, Mirena® ou Kyleena®), as técnicas utilizadas para sua colocação e retirada são as mesmas. Cuidados antes da colocação É fundamental agendar uma avaliação com o ginecologista antes de colocar o DIU para que ele possa verificar as suas condições clínicas, identificar eventuais impedimentos para usar o DIU (como gravidez ou suspeita de gravidez, hemorragias não esclarecidas e infecções) e atualizar seus exames de ultrassonografia transvaginal e Papanicolau, caso não tenham sido realizados recentemente. Aproveite essa consulta para esclarecer suas dúvidas. Discuta sobre os diferentes tipos de DIU e suas indicações, seus efeitos na menstruação, cólicas, a duração do DIU após a colocação, eventuais complicações (que, embora raras, podem ocorrer), como será a retirada… enfim, todas as questões. A colocação Como algumas mulheres têm cólicas no momento da colocação do DIU, é possível que o médico a oriente a tomar um analgésico antes da colocação. A mulher deve preferencialmente estar menstruada quando da colocação do DIU, pois o orifício do colo do útero fica mais aberto durante a menstruação, o que facilita o acesso ao interior do órgão. É colocado um espéculo vaginal para identificação do colo uterino. Após a limpeza com antisséptico da vagina e do colo, a cavidade uterina é medida com o auxílio de uma pinça chamada histerômetro. O tamanho do aplicador do DIU é ajustado perfeitamente para a medida encontrada na histerometria e lentamente colocado dentro do útero. O DIU é então liberado de forma lenta, retirando-se delicadamente o aplicador e deixando o DIU no interior do útero. Os fios do DIU (geralmente dois) são cortados pelo médico, e o aplicador, agora vazio, é desprezado. Os fios ficam expostos fora do colo uterino e são utilizados para controle do DIU pelo médico durante o exame ginecológico e para a sua posterior retirada do interior do útero. Em alguns casos, podem ser utilizados anestésicos durante a colocação do DIU, ou até mesmo ser necessária sedação, caso em que a colocação tem que ser realizada em ambiente hospitalar. Normalmente o procedimento costuma ser rápido, durando cerca de 20 a 30 minutos. Cuidados após a colocação Algumas mulheres sentem cólicas após a colocação, o que não é raro. Normalmente, estas cólicas são suportáveis e melhoram com analgésicos comuns. Seu ginecologista vai orientá-la. Nas 24 horas após a colocação, orienta-se a não ter relações sexuais, nem praticar exercícios físicos, pois as cólicas podem se intensificar. Sempre observe. Caso as cólicas ou o sangramento sejam muito intensos, entre em contato com o médico para uma pronta avaliação. Normalmente, o DIU é imperceptível durante a relação sexual e no seu dia a dia.
12 Dicas para manter sua vagina saudável
HPV 9V – Vacina Nonavalente contra HPV

O vírus do papiloma humano, mais conhecido no Brasil pela sigla HPV do seu nome em inglês, é na verdade um grupo de mais de 200 tipos diferentes de vírus, todos transmitidos de uma pessoa para outra nas relações sexuais, sendo, portanto, a doença que ele causa uma IST – infecção sexualmente transmissível. Aqui trataremos apenas dos HPV que causam lesões genitais e que estão relacionados ao câncer do colo uterino. Cerca de 80% dos homens e mulheres que tiveram relações sexuais já tiveram contato com o vírus. Como é muito comum, esse contato acontece geralmente nas primeiras relações sexuais. Na maioria das pessoas, o HPV não causa doença, sendo eliminado pelo sistema imunológico. Em 5% dos casos, causará uma infecção benigna, e em apenas aproximadamente 1% deles, causará lesões importantes e precursoras do câncer de colo uterino. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o impacto do câncer no mundo em 2020 foi de 19,3 milhões de novos casos (18,1 milhões se forem excluídos os casos de câncer de pele não melanoma). Um em cada cinco indivíduos terá câncer durante sua vida (FERLAY et al., 2021; SUNG et al., 2021). Os dez principais tipos de câncer representam mais de 60% do total de casos novos. Um em cada cinco indivíduos terão câncer durante sua vida (FERLAY et al., 2021; SUNG et al., 2021). Os dez principais tipos de câncer representam mais de 60% do total de casos novos. O câncer de pulmão é o mais frequente em homens, com 1,4 milhão (14,3%) dos casos novos, seguido dos cânceres de próstata, com 1,4 milhão (14,1%); cólon e reto, com 1 milhão (10,6%); pele não melanoma, com 722 mil (7,2%); e estômago, com 719 mil (7,1%) 1 C33-C34 – traqueia, brônquio e pulmão. 2 C18-C21 – cólon, junção reto sigmoide, reto e ânus. Introdução 30 casos novos no mundo. Já nas mulheres, o câncer de mama é o mais incidente, com 2,3 milhões (24,5%) de casos novos, seguido pelos cânceres de cólon e reto, com 865 mil (9,4%); pulmão, com 771 mil (8,4%); colo do útero, com 604 mil (6,5%); e pele não melanoma, com 475 mil (5,2%) casos novos no mundo (FERLAY et al., 2020; SUNG et al., 2021 A incidência de câncer no mundo O câncer de mama feminino é o mais incidente no mundo, com 2,3 milhões (11,7%) de casos novos, seguido pelo câncer de pulmão, com 2,2 milhões (11,4%); cólon e reto2, com 1,9 milhão (10,0%); próstata, com 1,4 milhão (7,3%); e pele não melanoma, com 1,2 milhão (6,2%) de casos novos. Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) critério estatístico que analisa a expectativa de vida, a educação (a média de escolaridade completados e os anos esperados de escolaridade ao entrar no sistema educacional) e indicadores de renda per capita, os países são classificados em quatro níveis de desenvolvimento humano. Nos países com maior IDH, as taxas de incidência observadas em homens foram quase cinco vezes maiores do que em países com baixo IDH, enquanto, nas mulheres, essa razão foi de quatro. Nos países com alto IDH, o câncer mais incidente é o de pulmão (39,0 por 100 mil), seguido pelos cânceres de próstata (37,5 por 100 mil) e de cólon e reto (29,0 por 100 mil), enquanto, nos países com baixo ou médio IDH, há uma inversão entre o primeiro e o segundo, sendo próstata o mais incidente (11,3 por 100 mil), seguido do câncer de pulmão (10,3 por 100 mil). O terceiro câncer mais incidente em países com baixo ou médio IDH é o de lábio e cavidade oral (10,2 por 100 mil). Nas mulheres, as taxas ajustadas de incidência de câncer de mama são as maiores tanto em países com alto IDH (55,9 por 100 mil) quanto naqueles com baixo ou médio IDH (29,7 por 100 mil). O segundo mais incidente nos países com alto IDH são os cânceres de cólon e reto (20,0 por 100 mil), enquanto, nos países com baixo ou médio IDH, o segundo mais incidente é o câncer do colo do útero (18,8 por 100 mil) (SUNG et al., 2021). Importância da vacinação contra o HPV As vacinas contra o HPV são uma ferramenta importante para a prevenção do câncer de colo uterino e o Brasil conta atualmente com duas vacinas contra o HPV: a vacina tetravalente contra HPV – HPV4V, disponível no Programa Nacional de Imunização (PNI), e a vacina nonavalente contra HPV – HPV9, que conta com cinco tipos de HPV adicionais e passa a ser recomendada preferencialmente pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), reforçando o objetivo de aumentar a proteção contra as doenças associadas ao HPV. É importante dizer que a vacina tetravalente continua sendo muito efetiva e muito importante na prevenção e combate ao câncer de colo uterino. O câncer do colo uterino ainda mata muitas mulheres no Brasil e no mundo. Estima-se que, em 2023, teremos 15,38 casos por 100.000 habitantes, segundo estimativa do INCA, número ainda muito superior ao objetivo estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o século, que é de menos de quatro casos a cada 100.000 habitantes. A vacina protege contra quais vírus HPV? A vacina HPV 4V nos protege contra os vírus de tipos 6, 11, 16 e 18. A vacina HPV 9V nos protege contra os tipos de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58, causadores tanto de lesões pré-cancerosas como do câncer do colo do útero, vagina, vulva e ânus. A vacina contra HPV deve ser aplicada (em esquema vacinal habitual) em mulheres com imunossupressão (transplantadas, portadoras de câncer ou que vivem com HIV/AIDS) devido ao maior risco de adquirir a infecção pelo HPV e de desenvolvimento do câncer do colo uterino e necessita de prescrição médica. Quem pode tomar a vacina contra o HPV? As duas vacinas podem ser tomadas por homens e mulheres de 9 a 45 anos. Após essa idade, a vacinação é feita apenas com receita médica. A rede pública oferece a vacina HPV 4V para meninas
O que é histerectomia?

Histerectomia é o nome dado à cirurgia que tem por objetivo a retirada do útero. A escolha da melhor técnica, as indicações para a cirurgia e todas as questões a seguir, referem-se a histerectomia de forma genérica, sendo fundamental a discussão de cada caso individualmente com seu médico. Por que se faz histerectomia? A retirada do útero pode ser indicada no tratamento de doenças graves como o câncer do colo uterino, câncer de endométrio, câncer de ovário, câncer das tubas uterinas, câncer de intestino, e pode ser necessária em doenças benignas quando não for possível o controle com medicamentos, o que pode acontecer na endometriose grave, na adenomiose , no mioma uterino, nos prolapsos uterinos e nos chamados sangramentos uterinos disfuncionais ou sem causa conhecida. Os ovários são retirados na histerectomia? A retirada dos ovários na histerectomia depende da idade da mulher e da indicação da histerectomia. Em mulheres mais jovens, desde que não haja uma indicação específica para a retirada, os ovários são mantidos e, consequentemente, é mantida a produção normal dos hormônios ovarianos (estradiol e progesterona). Nos casos de câncer e na maioria das mulheres menopausadas, os ovários são retirados. Primeira relação sexual após a histerectomia É recomendada a abstinência de penetração vaginal por em torno de 60 a 90 dias após a histerectomia, tempo necessário à cicatrização do tecidos afetados. Após a recuperação, as relações sexuais costumam ocorrer normalmente. É fundamental reforçar que cada caso deve ser avaliado individualmente e orientado pelo médico. Para onde vai o óvulo após a histerectomia? Nas mulheres onde os ovários foram preservados, os óvulos, que medem cerca de 0,1 mm, são liberados na cavidade abdominal e absorvidos pelo organismo. A ausência do útero impede que a mulher engravide. Como é feita a histerectomia? A cirurgia para retirada do útero pode ser feita por diferentes técnicas cirúrgicas: Quais são os tipos de histerectomia? Podemos dividir o útero em duas partes: o colo uterino e o corpo uterino. O útero pode ser retirado totalmente (corpo e colo), cirurgia chamada de histerectomia total, ou parcialmente, retirando-se apenas o corpo uterino, sendo chamada nesse caso de histerectomia subtotal. Nos casos de câncer do colo do útero, câncer de endométrio, câncer de ovários ou em lesões malignas, além do útero, são retiradas também as tubas uterinas, os ovários, parte da vagina e estruturas próximas ao útero na chamada histerectomia radical. Veja as imagens a seguir: Qual é a anestesia usada na histerectomia? O tipo de anestesia utilizado na histerectomia depende da técnica cirúrgica que será utilizada. Podem ser realizadas a anestesia geral, a raquianestesia ou a combinação de ambas. A anestesia peridural raramente é utilizada para a histerectomia. O que acontece com a vagina quando o útero é retirado? No caso da histerectomia total ou radical, como o colo do útero é retirado, o fundo da vagina é fechado durante a cirurgia. A vagina vai terminar como se fosse o fundo de um saco fechado, não havendo nenhuma comunicação com o abdome. Na histerectomia subtotal, o colo uterino continua no fundo vaginal, não havendo, portanto modificação alguma na vagina. As tubas são retiradas na histerectomia? Quando é realizada a retirada cirúrgica do útero, normalmente as tubas uterinas (ou trompas de Falópio) também são retiradas, cirurgia chamada de salpingectomia. Isso acontece devido ao fato de que boa parte dos cânceres de ovário se originam das tubas uterinas. Como a mulher fica “por dentro” após a histerectomia? Após a retirada do útero não há sensação de “falta” do útero. Todos os órgãos do abdome se acomodam e, após a recuperação normal da cirurgia, não há qualquer “sensação” de ausência do útero. Quais são os riscos da histerectomia? Nenhuma cirurgia é isenta de complicações e, embora pouco frequentes, são possíveis e podem variar caso a caso. É importante discutir todas as possibilidades com seu médico antes da cirurgia. Complicações possíveis: Quem retira o útero continua tendo que fazer exame preventivo? Se o útero todo for retirado (colo e corpo) devido a doença benigna, passa a não ser mais necessário realizar o Papanicolau (colpocitologia oncótica ou exame preventivo do câncer do colo uterino). Quando a histerectomia total for realizada para retirada de câncer de útero ou do colo uterino, os exames periódicos devem ser mantidos para avaliar eventual recorrência da doença. As visitas periódicas ao ginecologista devem sempre ser mantidas, importantíssimas para acompanhamento da saúde ginecológica geral (vagina, vulva, mamas, sexualidade, controle hormonal etc.). O que acontece com meu corpo após a histerectomia? Com a retirada do útero, a mulher não vai mais menstruar. Porém, se não estiver na menopausa, os ovários continuarão produzindo os hormônios normalmente e a mulher poderá sentir sintomas semelhantes aos de quando ia menstruar, como algumas cólicas, inchaço nas mamas e irritação, decorrentes da variação dos hormônios ovarianos. Quantos dias fico internada no hospital após a histerectomia? Se a cirurgia for realizada pela técnica convencional, a duração da internação geralmente é de dois a três dias. No caso de histerectomia vaginal, laparoscópica ou robótica, geralmente ficará internada de um a dois dias. Por quanto tempo devo fazer repouso após a histerectomia? Na histerectomia convencional, o tempo para recuperação e volta total às atividades normais é de cerca de trinta dias. Na histerectomia vaginal, laparoscópica ou robótica, normalmente a volta às atividades cotidianas acontece após repouso de cerca de quinze dias. Importante reforçar que o tempo de recuperação varia conforme a técnica utilizada e a recuperação pessoal de cada um. Sempre devemos considerar caso a caso e seguir as orientações específicas oferecidas pelo médico. Como devo me preparar para a histerectomia? O planejamento da cirurgia é muito importante para evitar transtornos, complicações e para o êxito do procedimento. Escolha um médico com experiência e em quem confie. Faça seus exames pré-operatórios. Escolha um hospital que ofereça todos os recursos necessários para a cirurgia. Converse e escolha o local para realizar a sua cirurgia junto com seu médico. Esclareça suas dúvidas.
O que é endometriose profunda?

A endometriose profunda é um tipo de endometriose onde as células de endometriose se implantam no tecido invadido em profundidade superior a 5 mm. Pode atingir vários órgãos, tais como o útero, as tubas uterinas, os ovários, o intestino, a bexiga urinária, o ureter e, mais raramente, até mesmo o diafragma, a pleura, os pulmões, o pericárdio, o coração e o sistema nervoso. Como diagnosticar endometriose profunda? Considerada a forma mais grave da doença, seu diagnóstico, assim como nos outros quadros de endometriose, é feito pela história clínica, pelo exame físico e pelo estudo anátomo patológico das lesões retiradas por via cirúrgica. Embora alguns casos possam ser assintomáticos, seus sintomas, na maioria das vezes, são mais intensos do que na endometriose superficial ou no endometrioma e, não raramente, são incapacitantes, resultando em alto índice de absenteísmo, isolamento social e idas frequentes ao hospital para controle da dor, com impacto fortemente negativo na qualidade de vida dessas mulheres. Além da exacerbação dos sintomas típicos da endometriose (cólicas menstruais, distensão abdominal e dores na pelve, à relação sexual e ao evacuar), a endometriose profunda ainda é comumente associada a outras doenças, tais como dores musculares, falta de desejo e dificuldade de obter prazer sexual, depressão, ansiedade e distúrbios alimentares. No exame físico realizado na consulta médica, o médico pode desconfiar da endometriose profunda ao palpar espessamentos ou nódulos, ao verificar espasmos musculares e ao identificar o ponto de desencadeamento de dor (ponto doloroso ou ponto gatilho). Exames de imagem complementares são fundamentais para o mapeamento adequado da doença e para o planejamento do tratamento – na maioria das vezes, cirúrgico. Os exames mais indicados para o diagnóstico da endometriose (“padrão ouro”) são a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética com pesquisa para endometriose. Eles permitem uma visão espacial das lesões e dos órgãos. A tomografia computadorizada de tórax e a broncoscopia podem ser necessários nos casos de endometriose de diafragma, pulmão ou pleura. O diagnóstico é mais difícil quando a endometriose está próxima a um nervo, porque além da dor, outros sintomas podem surgir de acordo com o dermatomo acometido. Podem ocorrer, por exemplo, dores no nervo ciático, disfunções urinárias, disfunções intestinais, disfunções sexuais, dores perineais, dores em região glútea, dor ou formigamentos em face dorsal da coxa etc. A tractografia por ressonância magnética é um exame que avalia as fibras nervosas através de traços de difusão de água e vem sendo utilizada no diagnóstico de endometriose próxima a nervos. Por ser uma doença que se agrava com o passar do tempo, não deixe o tempo passar. Se você tem sintomas sugestivos de endometriose ou se recebeu o diagnóstico de endometriose profunda, não deixe de procurar avaliação com médico experiente. Com saúde vivemos melhor!
Menstruação excessiva

Quando a menstruação é considerada excessiva? Durante cada ciclo menstrual, período que dura de 24 a 38 dias e que vai do primeiro dia da menstruação até o dia anterior ao início da próxima, o volume de sangramento menstrual normal varia entre 30 ml e 80 ml, distribuídos em cerca de sete dias de menstruação. Menstruações com volumes acima de 80 ml ou com mais de sete dias de duração são consideradas excessivas, fenômeno chamado de menorragia, hipermenorreia ou hemorragia menstrual. Como medir a menstruação excessiva? Medir o volume da menstruação pode ser mais fácil para a mulher que utiliza coletores menstruais, no entanto, essa medida não é precisa e será indireta se a mulher utilizar absorventes. Trocar absorventes ou coletores menstruais cheios em curtos intervalos de tempo, como de hora em hora, por exemplo, podem sugerir que está menstruando excessivamente. Quais sintomas podemos observar quando a menstruação é excessiva? Mulheres com menstruações excessivas podem não ter outros sintomas além do sangramento propriamente dito. Entretanto, a mulher com menorragia deve se manter atenta e procurar avaliação médica quando: Quais são as causas de menstruação excessiva? Nem sempre é possível identificar a causa da menstruação excessiva, mas algumas das principais causas são: Como controlar a menstruação excessiva? É importante ressaltar que a avaliação médica é fundamental para identificar a causa da menstruação excessiva e para orientar o tratamento. Procure o médico o quanto antes e não se automedique! Procure o médico caso apresente sinal ou sintoma de menstruação excessiva. Em caso de saída de fluxo vermelho, com coágulos e trocas de coletor menstrual cheio ou absorvente grande cheio a cada 1 hora, procure uma avaliação médica no pronto socorro. Não deixe de procurar avaliação ginecológica O desenvolvimento dos caracteres sexuais femininos secundários, como o desenvolvimento das mamas, o acúmulo de gordura corporal e o surgimento dos pêlos, acontece na menina na puberdade quando o nível de estrogênio aumenta. Este hormônio participa do ciclo menstrual, do crescimento do útero, da lubrificação vaginal e do espessamento do endométrio. No metabolismo, o estrogênio atua na síntese de proteínas hepáticas, na remodelação do tecido ósseo e na expressão de muitos genes, além de modular o sistema imunológico. Há diversas situações em que o organismo pode sofrer maior exposição à ação do estrogênio e, consequentemente, ter o risco do desenvolvimento da endometriose aumentado: Além da exposição aumentada ao estrogênio, outros fatores contribuem para o desenvolvimento da doença. Já há algum tempo que diversos genes vêm sendo associados pela comunidade científica que estuda o assunto ao desenvolvimento da endometriose. Alguns estudos científicos sugerem que ter avó, mãe ou irmã com endometriose aumenta em cerca de sete a dez vezes o risco de desenvolver a doença. O risco também aumenta se a mulher mantiver um estilo de vida não saudável: Muitas pesquisas têm sido feitas com o objetivo de identificar se existem condições neonatais ou na infância que possam estar associadas a um maior risco da doença. Prematuridade, baixo peso ao nascer e alimentação com fórmulas foram citadas por pesquisas como fatores de risco para endometriose, porém mais estudos científicos serão necessários para esclarecer esses fatores.
INPLANON®, o mais eficaz entre os métodos contraceptivos

O que é o implante subdérmico ou Implanon®? O implante hormonal subdérmico ou Implanon® é um pequeno bastão de plástico flexível, que mede 4 cm de comprimento e 2 mm de espessura, que contém 68 g de etonogestrel, uma progesterona utilizada como contraceptivo que tem duração de três anos após sua inserção. Como é colocado? É colocado pelo médico no braço da paciente, geralmente no consultório e com uso de anestesia local. Como é retirado? Retirado pelo médico, no consultório com uso de anestesia local. Deixa alguma marca? No local da pele onde é colocado, fica com uma pequena cicatriz de 2 mm. Como evita gravidez? Impede a ovulação, altera o muco e dificulta a entrada do espermatozoide no colo uterino. Contraindicações: Como será meu sangramento? Após a inserção do Implanon®, a mulher pode ter sangramento irregular ou ficar sem menstruar. O Implanon® protege contra infecções sexualmente transmissíveis? Não. Você deve utilizar preservativo para prevenir IST. É eficiente para evitar gravidez? A taxa de gravidez é muito baixa. Aconselha-se utilizar sempre preservativo porque nenhum método confere proteção absoluta. Importante que o implante seja inserido corretamente. Quais as vantagens?
Quais fatores de risco podem levar ao desenvolvimento da endometriose?

A endometriose é uma doença de origem multifatorial que depende da presença do estrogênio para se desenvolver. O estrogênio é um hormônio produzido pelos ovários, pelas glândulas suprarrenais, pelo tecido adiposo e, na gravidez, pela placenta. Como a endometriose é uma doença estrogênio dependente, situações em que haja maior exposição ao estrogênio são consideradas de maior risco para o desenvolvimento dessa doença. O desenvolvimento dos caracteres sexuais femininos secundários, como o desenvolvimento das mamas, o acúmulo de gordura corporal e o surgimento dos pêlos, acontece na menina na puberdade quando o nível de estrogênio aumenta. Este hormônio participa do ciclo menstrual, do crescimento do útero, da lubrificação vaginal e do espessamento do endométrio. No metabolismo, o estrogênio atua na síntese de proteínas hepáticas, na remodelação do tecido ósseo e na expressão de muitos genes, além de modular o sistema imunológico. Há diversas situações em que o organismo pode sofrer maior exposição à ação do estrogênio e, consequentemente, ter o risco do desenvolvimento da endometriose aumentado: Além da exposição aumentada ao estrogênio, outros fatores contribuem para o desenvolvimento da doença. Já há algum tempo que diversos genes vêm sendo associados pela comunidade científica que estuda o assunto ao desenvolvimento da endometriose. Alguns estudos científicos sugerem que ter avó, mãe ou irmã com endometriose aumenta em cerca de sete a dez vezes o risco de desenvolver a doença. O risco também aumenta se a mulher mantiver um estilo de vida não saudável: Muitas pesquisas têm sido feitas com o objetivo de identificar se existem condições neonatais ou na infância que possam estar associadas a um maior risco da doença. Prematuridade, baixo peso ao nascer e alimentação com fórmulas foram citadas por pesquisas como fatores de risco para endometriose, porém mais estudos científicos serão necessários para esclarecer esses fatores.
Cólica menstrual

A cólica menstrual, também conhecida como dismenorreia, caracteriza-se pela dor recorrente que acontece no período menstrual ou um pouco antes, localizada no “baixo ventre” (hipogástrio). É muito comum e representa cerca 78% das queixas de desconforto menstrual, sendo moderada ou grave em apenas 10% dos casos. Por que dói? A cólica menstrual é explicada pela ação das prostaglandinas e leucotrienos, substâncias produzidas um pouco antes da menstruação em decorrência da queda da progesterona que ocorre na fase lútea do ciclo menstrual. A vasoconstrição, a inflamação e as contrações uterinas produzidas pela ação dessas substâncias é o que faz com que o endométrio seja descartado pelo útero na forma de menstruação, mas também provocam dor. Além da própria cólica menstrual, são comuns outros sintomas como dor lombar, distensão abdominal, náuseas e vômitos. Classificação da dismenorreia Podemos classificar a dismenorreia em primária e secundária: Dismenorreia primária: É a cólica menstrual cuja intensidade tende a ser a mesma a cada ciclo menstrual e que não está associada a outra doença. Normalmente bem tolerada, melhora quando a mulher mantém um estilo de vida saudável e, quando necessário, pelo uso de analgésicos comuns. É identificada quando a mulher já apresenta ovulação, o que comumente ocorre decorridos seis a 12 meses da primeira menstruação (menarca), quando se observa o amadurecimento do eixo hormonal da mulher (eixo hipotálamo hipofisário) e tem início os ciclos ovulatórios na sua vida reprodutiva. A dor é resultado da ativação de receptores específicos no sistema nervoso. Estima-se que as vias neurais da dor sejam mais sensíveis nas mulheres que têm cólicas menstruais. Dessa forma, pequenos estímulos podem gerar uma resposta dolorosa mais intensa. Essa seria uma explicação para o fato de que algumas mulheres sentem dor na menstruação e outras não. Algumas pesquisas científicas associaram uma mudança de volume da substância cinzenta cerebral nas portadoras de dor crônica, a dor que passa de seis meses de duração. Dismenorreia secundáriaÉ a cólica que ocorre a cada menstruação e decorre de outras doenças, sendo comum em patologias como a endometriose, a adenomiose, os miomas uterinos, os cistos ou tumores ovarianos, a hidrossalpinge, as infecções pélvicas etc. Normalmente iniciando desde a menarca, costuma ter piora progressiva, não sendo infrequente a necessidade de quantidades crescentes de medicamentos para seu controle, bem como muitas visitas aos serviços médicos. Muitas vezes, a dor passa a ser limitante, o que resulta em altos índices de absenteísmo na escola, no trabalho e em encontros sociais. Recentes estudos científicos demonstram que cerca de 40% das adolescentes faltam a escola devido à cólica menstrual, e observaram uma associação com emoções negativas, estresse, alterações de humor, depressão e ansiedade, quadro que indubitavelmente exerce forte impacto na qualidade de vida dessas mulheres. Diagnóstico A cólica menstrual intensa e de difícil controle deve ser um sinal de alerta para que a mulher procure o médico. Outros sintomas, como dor na relação sexual (dispareunia), sangramento uterino excessivo, dor pélvica fora do período menstrual (dor pélvica acíclica), sangramento nas relações sexuais (sinusiorragia), também devem ser valorizados. O exame físico, realizado pelo médico na consulta ginecológica, e exames complementares como a ultrassonografia pélvica ou transvaginal, a ressonância magnética especializada, a histeroscopia, a histerossalpingografia, a tomografia computadorizada, são fundamentais para o diagnóstico e para o planejamento do tratamento. Tratamento A busca de um tratamento eficaz, com baixo custo, acessível e preferencialmente definitivo é a solução almejada pelas mulheres que sofrem com cólicas menstruais. Utilizando terapia manual, eletroterapia e exercícios, o tratamento fisioterápico pode diminuir as contrações musculares reflexas à dor. Além disso, sessões de terapia e apoio psicológico são utilizadas para melhorar os quadros de ansiedade, depressão, irritabilidade e baixa autoestima. Analgésicos, anti-inflamatórios, medicamentos hormonais (pílulas anticoncepcionais orais, anel vaginal, implante subdérmico, adesivos hormonais, DIU hormonal), derivados da codeína, da morfina ou do canabidiol são opções de medicamentos disponíveis. Em alguns casos, faz-se necessária cirurgia para tratar a patologia associada, de preferência através de técnicas minimamente invasivas (laparoscopia, histeroscopia, cirurgia robótica). Manter um estilo de vida saudável, praticar exercícios físicos regularmente, dormir bem, aumentar o consumo de alimentos frescos e anti-inflamatórios, diminuir o consumo de álcool e de fumo, são ações associadas ao controle da dor. Sabemos hoje que o tratamento da cólica menstrual deve ser feito preferencialmente por equipe multidisciplinar, incluindo médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, estratégia fundamental para o controle da dor e melhora na qualidade de vida. Quando desconfiar que algo pode estar errado? Se você tem cólicas menstruais intensas, que pioram progressivamente a cada menstruação, se toma vários medicamentos para dor, se vai ao hospital com frequência, se falta em compromissos de trabalho, da escola ou sociais, e se a dor limita sua vida de alguma forma, procure uma avaliação com o ginecologista. Não é normal sentir dor.